Primeira vez em um blog com mais 140 caracteres. December 25, 2009
Posted by aventurasferozes in Uncategorized.trackback
Nunca tive um blog e nunca tinha publicado nenhuma história com mais de 140 caracteres. Portanto será uma dupla novidade para mim.
O conto que segue abaixo foi divido em duas partes, por favor comentem e deixem suas opiniões que logo mais eu posto o resto.
-i
PRATO DA CASA
Prato feito de filé de frango, calabresa ou bife por apenas quatro reais. Tentador, certo? Eu também achei.
Fazia uns dois anos que já estava desempregado e resolvi assumir que não poderia trabalhar no mesmo cargo e nem ganhar o mesmo montante de antes. Me mudei para uma pequena pensão no centro e me aconcheguei entre moribundos e drogados do local. Não tenho frescura. Preciso de poucas coisas para sobreviver: água, comida e livros. O resto é apenas uma soma de fatores que pode afetar minha vida, como a falta de dinheiro.
Sim, eu recebi seguros e os outros direitos, mas uma parte disso eu doei e a outra fui usando para me manter, chegando ao ponto onde atravessei o rubicão e minha sorte foi lançada. Precisei de um emprego.
Entre prédios comerciais, ruelas escuras e becos mal-cheirosos fervilham antros onde o infinitivo é usado de maneira não usual, músicas de espera são clássicos distorcidos e os xingamentos são abafados pelo volume baixo de fones de ouvido. É ai que eu gostaria de estar, era o lugar perfeito para sumir e me desfazer em meio de tanta gente.
Era um prédio antigo, com pequenos afrescos e uma grande porta feita de metal com tinta saindo. A fila que brotava da porta era tão grande quanto o número de palavras que normalmente eram proferidas nas salas em que iria trabalhar. Muita gente, muito calor e eu.
Olá, represento a Alegroshop e gostaria de poder estar fazendo o seu cadastro.
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Meio dia, primeiro dia, primeiro almoço, nova região.
É assim que acontece comigo. Como não tenho fogão costumo comer em restaurantes onde a pinga normalmente é o café da manhã de muita gente. Nunca passei mal.
Saí do prédio procurando algum lugar barato para almoçar e após entrar em algumas ruas e galerias me deparei com a placa escrita à mão.
Prato feito de filé de frango, calabresa ou bife por apenas quatro reais.
O lugar tinha uma aparência limpa e se perdia entre dezenas de outros restaurantes limítrofes que tinham placas maiores e mais lugares. Foi ali mesmo que sentei e pedi uma calabresa com um pouco de queijo mussarela por cima. O lugar tinha cerca de trinta metros quadrados, algumas mesas, uma bancada para receber os pedidos, uma cozinha aberta, banheiros e uma escada caracol que levava para algum lugar abaixo. De oito mesas, três estavam ocupadas. Eu em uma, uma senhora de cabelos brancos e roupas engraçadas em outra e por último uma pessoa possivelmente dormindo, com a cabeça entre os braços.
Enquanto reparava em alguns detalhes e padrões estranhos da roupa daquela senhora, um engravatado com pinta de executivo entrou no restaurante. Era visivelmente um peixe fora d’água. Ele olhou para garçonete, que perguntou:
O mesmo de sempre?
Ele assentiu com a cabeça esboçando um leve sorriso e desceu as escadas em caracol.
O mais engraçado nem era o fato de uma pessoa possivelmente mais abastada estar ali pedindo comida e sim o som dos sapatos caros batendo contra os degraus de ferro da escada.
Era totalmente alienígena.
Ninguém demonstrou qualquer estranheza,. Só eu fiquei corado e comecei a comer a refeição recém-chegada.
Segunda semana, segunda-feira, segundos para o almoço.
Continuava comendo no mesmo lugar de sempre. Encontrar aquele restaurante era muito difícil no começo. Muitas ruas, quebradas e becos e eu acabava sempre passando a entrada. De alguns dias pra cá começava a entender o caminho e já tinha traçado um mapa mental para o tesouro.
Pedi um bife acebolado. Hoje era dia de bife.
Revezava entre os três pratos para não enjoar. A garçonete anotou o pedido e trouxe o prato de salada como entrada. Enquanto comia um pedaço de alface, um homem gordo de calça xadrez entrou e pediu um café. A garçonete parecia reconhecê-lo e começou a puxar papo. Não prestei atenção em nada do que disseram, só peguei o finalzinho da conversa. Ele agradeceu o café e falou que ia descer, e completando, pediu: Me vê o mesmo de sempre. Ela sorriu e lhe desejou bom apetite. Desceu apressado e quase tropeçou.
Ao longo da semana via pessoas descerem a escada em caracol. Algumas somente olhavam pra garçonete, que parecia entender a linguagem não verbal, e logo já desciam a escada de metal.
O mesmo de sempre, o mesmo de sempre, o mesmo de sempre.
Ficava sempre observando, mas nunca minha curiosidade era maior que a fome. Comia e voltava para o meu cubículo de paredes modulares.
Interessantíssimo o texto, -i… Você conseguiu me prender do início ao final do texto… To curiosíssimo pra saber do final… :]
Parabéns!
PS: Mal começou o blog e já ganhou um leitor! Assinei seu feed…
Abraços!
escuta, escapar por outros formatos é um vício. Dá um romance isso aí. continua, não só nesse – noutros. lindo demais. lindo demais mesmo. vou visitar.
Ian
Adorei o texto! Estou curiosa e ansiosa para ler o próximo capítulo…
Já coloquei o seu blog na lista dos meus favoritos.
bjs
Já havia lido antes, mas reler é sempre bom. Continua nessa ai bicho.